As emoções de minha chegada ao Recife, no ano de 1958, agora estão se transformando em saudades. Por todos os lugares que visito , muitas lembranças daquela boa época vão logo aparecendo. Hoje, por exemplo, passando pela Visconde de Suassuna, fui lembrando daqueles belos palacetes, onde morava gente de grande poder aquisitivo da sociedade. A Visconde de Suassuna, partia do Parque 13 de maio, indo até a Av. João de Barros, outra via importante. Morando numa transversal da João de Barros – Rua Major Codeceira, que se dirigia para o Hospital Oswaldo Cruz, na casa do meu irmão mais velho, José Cabral, cuja residência era considerada o Quartel General da família em Recife. No fim do expediente, pegava meu ônibus de Cajueiro, da Empresa Pedrosa, saindo da Av. Guararapes e, em poucos minutos estava em casa, já sofrendo com muita lotação e aquelas cobradoras vestidas de farda grossa, mas muito espirituosas sempre gritando:” olá pessoal, venham pra cá pra trás que também tem motorista. “ Este apelo era devido o passageiro querer ficar de pé, pra saltar primeiro, pela porta da frente, porque só existia uma saida. As cobradoras passavam por cima dos pés da gente, pisavam até em nossos colarinhos, dizendo com licença, com licença, é a policia...
Voltando à nossa Visconde de Suassuna, não esqueço nunca daquela belíssima avenida, arborizada e com os belos jardins das residências bem cuidados. A avenida parecia mais um túnel verde que estava nos levando a uma mata em tempo de inverno. Era assim que o Recife nos recebia, como se estivesse dando as boas vindas aos Pernambucanos
Agora, tristemente, nos deparamos com a coitada da Av. Visconde de Suassuna, cheia de Consultórios Médicos, sem mais residências, com jardins transformados em estacionamento, casas destruídas, arvores caindo, lixo pelas calçadas, fiteiros vendendo pipocas e gente esmolambada fazendo plantão.
Não vamos falar da João de Barros, que foi outro desastre, tudo diferente, com apenas algumas construções novas que substituíram as boas residências, tudo sem nenhum ordenamento, parecendo mais uma dentadura quebrada – faltando dentes. Enfim, saudades não tem preço..
Houve uma tentativa para melhorar aquela bela avenida, quando instalaram-se dois luxuosos cinemas e restaurantes, mas, tudo fracassou, tendo as casas de espetáculos transformadas em cines de pornô. Havia um Quartel do Exercito, bem instalado no inicio da avenida, Postos de Gasolina, escolas , Mercadinho e um bom serviço de linhas de ônibus.

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